
Estou deixando a cidade, a casa dos meus pais, o meu quarto nos fundos. Estou deixando a cama que dividimos durante esses anos. Espero que não se importe por me ver partir, eu precisava ir embora — precisava dessa salvação.
Era um plano antigo e bem planejado, uma decisão tomada há muito tempo. Uma escolha na qual acreditei e guardei em meu coração durante anos. Infelizmente, nem mesmo você poderia me fazer desistir.
Mas, por favor, não pense, nem por um minuto, que você não é o suficiente. Eu só precisava fazer isso por mim. Adeus, garoto.
Saiba que não te culparei por não entender a minha decisão — também não me culparei por partir. Sou como um passarinho, precisava voar e conhecer novos horizontes.
Fui em busca do que não achei aqui. Apesar de ter medo de não encontrar o que preciso, sempre soube que não poderia ser feliz enquanto não descobrisse o que me reserva lá fora, sem pisar em novos lugares.
Não te convidei para ir embora comigo porque sei que deseja morrer na mesma cidade em que nasceu. Mas era o meu o meu plano. E eu precisei escolher.
Preciso encontrar a felicidade. Viver por mim. Não se preocupe, ficarei bem mesmo que tudo dê errado.
Por favor, não tente me convencer a voltar. Adeus, garoto.
Apesar da minha partida, amarei você até do outro lado do mundo. Não chore, não me siga, não mude seus planos. Seja feliz. Me deseje sorte.
Sei que é egoísta da minha parte, mas, por favor, não segure a mão de ninguém como segurava a minha. Não beije outra pessoa com a mesma intensidade, nem toque outro corpo do jeito que tocava o meu. Não dedique a nossa música a mais ninguém.
Guarde o meu suéter azul. Guarde apenas os meus sorrisos em sua memória. Guarde os nossos momentos felizes em seu coração.
Talvez, no final da minha jornada pelo inesperado, possamos recomeçar de onde paramos. Mas acredite, não serei mais aquela garota que você conheceu no parque da cidade.
Adeus, garoto.
